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Golpe do falso Pix: como o comerciante se protege

Casos de outubro mostram lojas perdendo mercadoria por comprovante falso de Pix. Veja o que mudou nas regras e o que fazer no balcão.

Notícias · Publicado em · 5 min de leitura

Em 16 de outubro, a Polícia Civil da Paraíba prendeu em João Pessoa um homem suspeito de levar celulares de uma loja usando comprovantes falsos de Pix. Dias depois, em 21 de outubro, veio a notícia de uma hamburgueria em Dourados, no Mato Grosso do Sul, que perdeu cerca de R$ 1,5 mil com o mesmo tipo de golpe. Os dois casos mostram que o falso Pix continua mirando o pequeno comércio.

O que aconteceu

Em João Pessoa, o dono de uma loja no Shopping Terceirão vendeu dois celulares depois de receber comprovantes de Pix pelo WhatsApp. Os comprovantes eram falsificados. Segundo a Polícia Civil, a fraude só apareceu quando o mesmo homem voltou para comprar um terceiro aparelho. A polícia acompanhou a entrega e prendeu o suspeito em flagrante quando ele recebeu o produto.

Em Dourados, o dono da hamburgueria recebeu um comprovante falso de R$ 280 por um pedido de lanche e percebeu quando a entrega já estava a caminho. Dois homens foram autuados por tentativa de estelionato. O comerciante contou que outros pedidos já tinham sido feitos para o mesmo endereço sem que ele notasse nada, e por isso estima o prejuízo total em R$ 1,5 mil.

O roteiro é o mesmo nos dois casos: o cliente manda uma imagem que parece um comprovante, o vendedor confia na imagem e entrega a mercadoria, mas o dinheiro nunca chega à conta.

O outro golpe: a devolução de Pix

Existe uma segunda armadilha, que usa o próprio sistema de segurança do Pix. Ela envolve o MED, sigla de Mecanismo Especial de Devolução: é o caminho que os bancos usam para bloquear e devolver dinheiro quando alguém diz que foi vítima de golpe.

Segundo a Agência Brasil, o golpe funciona assim:

  1. O golpista faz um Pix de verdade para a loja.
  2. Depois, diz que pagou errado e pede que o comerciante devolva o valor com um novo Pix, muitas vezes para outra chave.
  3. Em seguida, ele aciona o MED no banco dele e diz que o pagamento original foi fraude.

Se o banco aceitar a contestação, o comerciante perde duas vezes: o dinheiro que devolveu e o valor da venda.

Para dar mais tempo de defesa a quem passa por isso, o Banco Central mudou a regra em 1º de setembro. Quem recebeu um Pix legítimo e teve o valor devolvido por uma contestação falsa agora tem 80 dias para contestar essa devolução, contados a partir da data em que ela aconteceu. Antes, eram 30 dias. A mudança está na Instrução Normativa BCB 766.

O Banco Central também vem reforçando o MED. Desde fevereiro, o sistema consegue seguir o caminho do dinheiro quando ele passa por outras contas. Uma etapa nova, de comunicação entre os bancos, foi marcada para 26 de outubro. Mesmo assim, a devolução não é garantida: se o dinheiro já foi sacado ou transferido de novo, pode não haver o que recuperar.

Por que isso importa para quem tem um pequeno negócio

O Pix virou o caixa de muita gente. Segundo o Sebrae, ele é usado por 96% dos pequenos negócios. Uma pesquisa do Sebrae com a FGV mostra que o golpe do Pix é citado por 30% dos empreendedores como uma das fraudes digitais que mais preocupam.

Os golpistas apostam na correria do balcão e da entrega. Um comprovante bem feito, enviado na hora certa, passa sem ninguém conferir. E quem faz delivery ou vende por WhatsApp está mais exposto, porque nunca vê o cliente pessoalmente.

O que fazer agora

  • Confira no aplicativo do banco, não no comprovante. Só libere a mercadoria quando o valor aparecer no extrato da sua conta. Uma imagem de comprovante não prova que o dinheiro chegou.
  • Combine isso com a equipe. Quem atende o WhatsApp, quem fecha o caixa e quem despacha a entrega precisam seguir a mesma regra, sem exceção para cliente com pressa.
  • Fique atento a pedidos repetidos para o mesmo endereço ou para o mesmo número, principalmente quando o valor é alto ou quando a pessoa insiste em mandar o comprovante antes de você conferir.
  • Nunca devolva com um Pix novo. Se alguém disser que pagou errado, use a opção de devolução que fica dentro da própria transação, no aplicativo do banco. Essa é a recomendação citada pela Agência Brasil. Não mande dinheiro para uma chave que a pessoa informar.
  • Guarde as provas de cada venda: dados da conta que pagou, conversas, anúncios e qualquer documento da negociação. Eles servem para contestar uma devolução indevida.
  • Se cair no golpe, procure o banco o quanto antes. O prazo é de 80 dias, mas quanto mais rápido, maior a chance de ainda haver dinheiro para bloquear. Dependendo do caso, registre também um boletim de ocorrência.

Resumindo

Comprovante não é pagamento: confira sempre no extrato. Pedido de devolução se faz pela própria transação, nunca com um Pix novo. E, se mesmo assim o dinheiro for tirado da sua conta por uma contestação falsa, você agora tem 80 dias para se defender.

Fontes

  1. Polícia Civil prende suspeito de aplicar golpe do falso Pix contra comerciante em João Pessoa, WSCOM, 17 de outubro de 2026
  2. Dono de hamburgueria sofre golpe do falso Pix e tem prejuízo de R$ 1,5 mil em Dourados, O Estado Online, 21 de outubro de 2026
  3. Nova regra do Pix amplia prazo para contestar golpe, Agência Brasil, 1 de setembro de 2026
  4. Golpe do Pix: como funciona a nova regra do Banco Central que ajuda a proteger pequenos negócios?, Seu Dinheiro, 2 de setembro de 2026

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